JUNTAS

Ela tinha um coração de pedra Ela de granito Ela achava que nada poderia toca-la Ela lhe ofereceu um sorriso O sorriso abriu caminho à faca Ela se arrependeu, mas era tarde Sentiu o peito abrir em chamas E não havia nada que pudesse fazer Elas choraram, uma lágrima cada As duas lágrimas se misturaram Os corpos seguiram as lágrimas Num desespero não mais solitário
Uma que eram duas As duas sendo uma Se odiando mais do que tudo Amor à beira do absoluto Devorando uma à outra Aprofundando sua união Carne mesclada à carne Ossos fundidos em estruturas singulares Corpos mesclados em formas siamesas Vibrando em prazer doloroso Amálgamas de carne e espírito Obra de Arte viva e pulsante Beleza sublime sem margem para significados Sem alegria, sem dor, sem prazer, sem verdade Apenas existência injustificada Sublime estética da crueldade
Rodrigo Emanoel Fernandes (Mago) Ilustração: Siamoises - French Dita
Escrito por Mago às 18h53
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