RÁPIDA EXCURSÃO PELA PERFORMANCE ART

“(...) eu conto apenas aquilo que me ancora ao mundo, aquilo que me torna semelhante aos outros, não aquilo que me faz diferente.” Penny Arcade
Antes mesmo que os “futuristas de Marinetti” pensassem em realizar suas pancadarias nas seratas, a performance já havia percorrido um longo processo de representação - desde os ancestrais por meio de ritos e celebrações até a estréia de Ubu Rei, de Alfred Jarry, em Paris no ano de 1896. Mas foi com eles, os ousados futuristas, que a performance apresentou o primeiro momento em que seus ideais fomentados apareciam de forma organizada, em 1910. Posteriormente, nasceu o famoso Cabaret Voltaire, em Zurique, e com ele o Dadá. Em seguida, alguns artistas deste mesmo movimento, ainda na guerra contra a arte tradicional, adotaram a “estética do escândalo” , criando o surrealismo. Concomitantemente, a escola alemã Bauhaus realizava importantes experimentações que uniam arte e tecnologia numa vertente humanista. Foi a primeira instituição a ministrar aulas de performance. Com o encerramento de suas atividades pelos nazistas, seus professores mudaram-se para a Fundação Black Mountain College, criada nos EUA em 1936, e por isso houve abertura neste país às grandes pesquisas na área da performance. Nos anos 50 Jackson Pollock criou a Action Painting (pintava quadros ao vivo) e Allan Kaprow as assemblages (encaixes)¸ as action-collage (colagem de impacto), environment (meio-ambiente) e o happening (acontecimento). Ambos influenciaram os conceitos e as práticas da performance das décadas seguintes. A performance art também teve outros precursores diretos, como a Live Art, criada pelo grupo japonês Gutai, as pesquisas da Judson Dance Group, em Nova Iorque, o movimento mixed-media do Fluxus, a body art do Grupo de Viena e o trabalho-solo de Joseph Beuys. Movimento anti-Gesamtkunstwerk, a performance art não trabalha com o processo de criação da forma harmônica, como concebeu Wagner na “obra de arte total”: suas variadas linguagens são utilizadas são utilizadas por justaposição, por colagem, e possibilita inúmeros discursos ao realizar este trabalho de fragmentos. O tempo e o espaço influenciam deveras o trabalho do performer. Sua apresentação pode não ser em um edifício-teatro e ter a duração que lhe for necessária. Institui-se, portanto, uma dialética entre tempo do palco X tempo real e performer X personagem. Freqüentemente as performances têm apresentação única, ou quando se repetem não são iguais, tornando o público testemunhas especiais do que aconteceu. O texto verbal apresenta-se na performance como mais um de seus elementos. Suas características marcantes são: a preocupação com a sonoridade em detrimento do conteúdo, a repetição e falas de discursos abertos, que visam dramaticidade. Também é presente na performance a questão do corpo do performer, que passa de instrumento para objeto durante a encenação, o que certos críticos chamam “discurso do corpo”. A autobiografia, principalmente os trabalhos solo, vêm sendo bastante explorados na performance art nas duas últimas décadas, e cada vez mais este “gênero” interfere na esfera pública, pois representa minorias e toma parte de uma função crítica. Por meio destes solos Bernstein conclui que é possível reconhecer “o particular no universal, a humanidade no sujeito individual” , pois o trabalho autobiográfico “só faz sentido" para a performer Penny Arcade "se pode conectar as suas experiências com as experiências de outras pessoas”.
Soraia Costa Atriz graduada pela Universidade Estadual de Londrina Ilustração: Reprodução de Summer Interior, de Edward Hopper
Bibliografia:
BERNSTEIN, Ana. A performance solo e o sujeito autobiográfico. In Sala Preta: Revista Dep Artes Cênicas, ECA/USP, nº 01, SP, 2001. CHAMPAGNE, Leonora. Out, from, under. Text by Women Performance Artists. New York, 1990. COHEN, Renato. Performance como linguagem. Ed. Perspectiva, São Paulo, 1989. GOLDBERG, RoseLee. Performance Art – From Futurism to the Present. World of Art, London, 1996. GLUSBERG, J. A arte da Performance. Editora Perspectiva, São Paulo,1987.
Escrito por Mago às 13h05
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|